Luli Hunt fala sobre a importância da cultura no olhar do empreendedor

1 04 2011

O caráter cultural e sustentável, hoje, exerce um papel fundamental no que diz respeito a imagem e posicionamento das empresas. Para tratar de um tema tão complexo como esse, convidamos a artista plástica e produtora Luli Hunt para bater um papo e esclarecer o assunto.

Atuante no setor artístico e cultural há mais de 20 anos, Luli Hunt já trabalhou com atelier de artistas, galerias de arte, equipamentos culturais e inúmeros projetos culturais independentes. Além disso, a artista comanda o escritório de arte Ponto & Ação, que atua no segmento de produção cultural, com uma invejável lista de clientes (Bombril, Itaú Cultural, Instituto Tomie Otake, Grupo Brasfanta etc).

Luli Hunt – Ao longo da história da humanidade, as expressões artísticas e culturais sempre tiveram grande dependência do apoio financeiro das mais variadas fontes. O mecenato, por exemplo, surgiu na Itália renascentista e seus praticantes sustentaram e promoveram incontáveis artistas e atividades culturais. A Igreja e os governos também são, historicamente, patronos da arte.

Avançando para períodos mais recentes, as empresas igualmente assumiram este papel – em parte por fazer parte de seus valores, mas também de olho em obter uma imagem positiva para sua marca e na promoção de seus produtos. Nada mais justo! Afinal, essa é uma relação ganha-ganha: os autores, por conseguirem produzir e sobreviver com sua obra; as empresas, por se diferenciarem no mercado e atingirem seus objetivos mensuráveis e não mensuráveis, e o cidadão brasileiro, por ter a sua disposição mais cultura e mais arte, e de qualidade.

Na esteira da promulgação de leis de incentivo fiscal à cultura – nas esferas federal, estadual e municipal – este interesse corporativo vem se intensificando e se tornando uma verdadeira tendência. Para se ter uma idéia, de 1996 a 2005, o valor investido em cultura por meio da Lei Rouanet (Lei Federal 8.313/91) cresceu seis vezes!

De fato, essa é uma isca difícil de resistir: reduzir a carga tributária da empresa (principalmente porque o valor investido, em muitos casos, é dedutível também como despesa operacional) e, ainda, poder acompanhar e fiscalizar mais de perto a aplicação adequada de recursos que seriam direcionados aos cofres públicos.

Mas, exatamente por envolver questões relacionadas a benefícios fiscais e mexer com a imagem e reputação de uma empresa cidadã, é preciso ir com menos cede ao pote e se cercar de certos cuidados. E como fazer isso? Com muita ética, transparência e legalidade!

Na hora de decidir-se pelo patrocínio de um determinado projeto cultural ou artístico, o empresário precisa ser criterioso e ter segurança na parceria que está estabelecendo. Um bom começo é trabalhar com uma empresa idônea que entenda profundamente das leis de incentivo e possa assessorá-lo na definição de qual lei de incentivo irá buscar benefícios. Que acompanhe e se responsabilize por cada fase do processo, que faça a administração financeira do projeto dentro da mais absoluta correção e legalidade. Que mantenha o processo atualizado e seja 100% transparente em todas as fases do projeto: com o patrocinador, com o proponente e com a prestação de contas junto à Receita Federal, Estadual ou Municipal.

Essa proximidade entre todos os envolvidos é, na verdade, o segredo do sucesso. Ao se conhecerem e se identificarem com os valores uns dos outros, terão segurança para evoluir o projeto e atingirem seus objetivos comuns.

Sustentabilidade Empresarial

Luli Hunt – Os investidores estão cada vez mais a procura de empresas socialmente responsáveis, sustentáveis e rentáveis para aplicar seus recursos. Estas aplicações, denominadas Investimentos Socialmente Responsáveis (SRI), consideram que estas empresas representam um menor risco, gerando valor para o acionista no longo prazo. Os instrumentos que o Mercado e o Governo brasileiro tem disponibilizado nos últimos tempos são uma boa mostra do interesse neste campo.

Fotografia: Ricardo Hantzchel

Acesse: Ponto & Ação

Twitter: @eventos_pro / @figueiroaneto

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2 responses

2 04 2011
José De Quadros

Luli Hunt,
parabéns pelas colocacoes bem ponderadas, pertinentes e elaboradas de forma excelente!

Isto é feito de uma maneira fantástica, quando voce esclarece a idéia de patrocínio, desde o apoio dado no passado pelos governos e pela igreja, passando pelo mecenato do renascimento italiano, até chegar nos dias atuais com nossas leis de incentivo à cultura, que possibilita um excelente e irrestrito acesso de todos à arte em todas suas formas possíveis!

Também fica bastante claro que, sem patrocínio, quase nada pode ser feito pela cultura, pelos produtores de arte e artistas…que teriam seus trabalhos e projetos esquecidos em algum canto do atelier.

Mais uma vez, parabéns e obrigado pelo esclarecimento, para que todos nós estejamos cientes da importância de tais recursos e quao devida e democraticamente sao aplicados tais impostos do contribuinte.

Dá gosto ver que nosso país está produzindo coisas tao fantásticas no âmbito cultural, com um apoio fundamental e substancioso, que dificilmente se vê em outros paises; mesmo na Alemanha, onde tenho grande experiência de trabalho e vivência, nao existe lá algo similar ou parecido!

Estou farto dessa história de que “lá fora se dá valor à arte e aos artistas”, isto me deixa muito furioso, pois aqui (no Brasil) todos vivem dizendo isso! Sem terem a mínima idéia da realidade, do que realmente acontece “lá fora” e por nao estarem cientes ou desconhecerem as inúmeras possibilidades de desenvolvimento e desdobramento que nossos generosos espacos culturais oferecem, e, principalmente, das leis de incentivo à cultura do nosso país, que tornam tudo isso possível!

2 04 2011
jose de quadros

Luli Hunt, parabéns pelas colocacoes bem ponderadas, pertinentes e elaboradas de forma excelente!

Isto é feito de uma maneira fantástica, quando voce esclarece a idéia de patrocínio, desde o apoio dado no passado pelos governos e pela igreja, passando pelo mecenato do renascimento italiano, até chegar nos dias atuais com nossas leis de incentivo à cultura, que possibilita um excelente e irrestrito acesso de todos à arte em todas suas formas possíveis!

Também fica bastante claro que, sem patrocínio, quase nada pode ser feito pela cultura, pelos produtores de arte e artistas…que teriam seus trabalhos e projetos esquecidos em algum canto do atelier.

Mais uma vez, parabéns e obrigado pelo esclarecimento, para que todos nós estejamos cientes da importância de tais recursos e quao devida e democraticamente sao aplicados tais impostos do contribuinte.

Dá gosto ver que nosso país está produzindo coisas tao fantásticas no âmbito cultural, com um apoio fundamental e substancioso, que dificilmente se vê em outros paises; mesmo na Alemanha, onde tenho grande experiência de trabalho e vivência, nao existe lá algo similar ou parecido!

Estou farto dessa história de que “lá fora se dá valor à arte e aos artistas”, isto me deixa muito furioso, pois aqui (no Brasil) todos vivem dizendo isso! Sem terem a mínima idéia da realidade, do que realmente acontece “lá fora” e por nao estarem cientes ou desconhecerem as inúmeras possibilidades de desenvolvimento e desdobramento que nossos generosos espacos culturais oferecem, e, principalmente, das leis de incentivo à cultura do nosso país, que tornam tudo isso possível!


José De Quadros

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